Justiça! Que justiça? Que país é esse?

3 Setembro, 2007

Não é realmente uma beleza? Lembram do nome Tales Ferri Schoedl? Então, este respeitável jovem, em 2004, ao sair de um luau com sua namorada e passar por um grupo de amigos, achou que esses mexeram com ela e resolveu revidar do modo que só um promotor de justiça sabe fazer: sacou a arma, atirou no chão e, em seguida, em direção ao grupo. Entre eles, estava Diego Mendes, jogador de basquete, então com 20 anos, que recebeu um dos tiros e não resistiu aos ferimentos.

Muito bem! Schoedl foi preso horas depois, confessou o crime, e alegou legítima defesa, o que foi derrubado pelas diversas testemunhas que viram o fato. Isso tudo em 2004. Desde então, como o cargo dele é vitalício, ele foi afastado do cargo como promotor de justiça, mas continua como promotor substituto, ganhando a bagatela de R$ 10.500 / mês. Não bastasse, os promotores de SP decidiram arrumar uma cidadezinha supimpa prá ele ficar: Jales (585 km da capital paulista), onde ele morou com a família na década de 90. Mas a coisa fica melhor: os moradores protestaram de forma veemente sobre o pulha trabalhar lá, e adivinhem? Para ele se “desestressar”, afinal a situação parece feia, deram férias de 30 dias para ele.

Melhor que isso foi ver, hoje cedo no Hoje em Dia, a entrevista com um dos promotores de justiça, questionando o porque dele ainda não ter sido exonerado do cargo, e a resposta do magistrado com um sorriso na cara foi linda: “é difícil explicar pro cidadão comum, mas subjetivamente falando, ele não pode exercer o cargo, mas objetivamente falando, ele pode porque … ele é um ótimo promotor!”. Ou seja, dá para ter mais nojo desse povo do que isso? Pior que isso, ele mantém o foro privilegiado, e enquanto isso a família de Diogo amarga a falta dele e a impunidade, que com certeza, será perpetuada. A matéria completa pode ser visualizada clicando aqui.

Agora, como pensar em ter justiça, se um dos próprios diligentes que deveriam zelar e aplicar ela, é um assassino confesso? Não sabe o que um promotor de justiça faz? A definição é prá lá de simples. Segue abaixo, extraída do site 10emtudo.com.br e dá uma ótima idéia:

Promotoria e Procuradoria da Justiça – Funções do Ministério Público, órgão dos governos estadual ou federal que defende os interesses dos cidadãos e da sociedade. Como promotor de Justiça, no Ministério Público, o objetivo do profissional é cuidar da manutenção da ordem pública. Promove ações penais, investiga e apura responsabilidades, fiscaliza o cumprimento das leis e da Constituição. Como procurador de Justiça – função seguinte na carreira de promotor -, exerce as mesmas funções acima citadas, porém nos tribunais.

Eu vou ser sincero … cada dia mais, menos coisas me surpreendem nesse país. Mas as que surpreendem … PQP! Nem tem mais o que falar a respeito, acho melhor então … ficar quieto e baixar as orelhas como o resto da população. Que tal?

Dr.Viper’s Out! Yessssssssssssssss!


Em que país que ele vive?

3 Setembro, 2007

Mais 2 do Sapo Barbudo, vocês escolhem a melhor:

  • País já cumpriu a meta de redução da miséria (faltam-me palavras para comentar tamanha sandice);
  • Ou ontem, na Folha de S. Paulo, ele alegando que devem ser defendidos seus compadres do PT, que foram declarados réus, porque, de acordo com ele, ninguém tem mais autoridade moral nesse país do que o partido dele.

Realmente, é de morrer de rir … ou de chorar? Então tá então, né … quando acabar, o desonesto (e maluco) sou eu!

Dr.Viper’s Out! Yessssssssssssssss!


Aerogel: o futuro do programa espacial?

22 Agosto, 2007

Senhoras e senhores, conheçam o futuro, direto de … 1931! Isso mesmo. O mote do momento, na NASA principalmente (de fato, nos últimos 8 anos) é o que se chama vulgarmente de “fumaça congelada”, ou pelo seu nome mesmo, aerogel. Ao lado, vemos o cientista Peter Tsou, do JET - Jet Propulsion Laboratory, do California Institute of Tecnology/NASA, segurando o aerogel.

Aerogel? Que diabos é isso? Simples, ele foi inventado em 1931 por um químico americano, e a idéia é até simples: retirar a água do gel silicone. No lugar dela é inserido um gás, como o dióxido de carbono, dando à substância a aparência de uma nuvem. O resultado é uma substância que é capaz de isolar grandes temperaturas e absorver óleos não processados.

O que isso significa? Significa que não há fim para as diversas funcionalidades onde ele pode ser usado. Ao lado, por exemplo, o que você vê? É um tijolo, de 2,5 Kg, sendo sustentado por, pasmem, 2 g de aerogel! Imaginem quantas aplicações podem haver para ele? E já existem várias mesmo. Em 1999, por exemplo, a NASA criou uma “luva” de aerogel para capturar fragmentos da cauda de um cometa. E não pára por aí. Está sendo desenvolvida uma nova roupa espacial baseada nele, visto que 18 mm de aerogel podem proteger o astrounauta de temperaturas de até -130o. C. Promissor, não?

As propriedades dele vão desde resistir a explosão de 1 kg de dinamite (o que faz com que pesquisas para veículos militares estejam sendo conduzidas) até resistir a temperaturas de 1.300o. C, além de ser extremamente poroso e poder funcionar como absorvente até mesmo para despoluir locais. Nada mal, não?

Confira a reportagem no Terra clicando aqui, e mais fotos no site do Projeto Stardust, da Nasa (o que usou a luva de aerogel), clicando aqui.

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Star Trek: Novas notícias do filme

8 Agosto, 2007

Mais uma que saiu da conversa com meu amigo Murilo Silva (hoje tá rendendo, hein? hehe).

Como vemos aqui, no Omelete, e aqui, no J-BBS, mais notícias sobre o reinício da franquia de Jornada (ai meu Deus, lá vamos nós de novo). A idéia, para quem não sabe, é contar a história dos personagens (Kirk, Spock & cia.) a partir da juventude deles. O filme, pelo que tudo já indica, será chamado apenas de Star Trek (mais conhecido pelos fãs como Star Trek XI, por ser o 11o. filme da franquia, e Khaless do céu permita, seja um filme decente dessa vez).

Muitas idas e vindas, boatos, desmentidos e confirmações, o elenco começou a surgir. Por exemplo, já sabemos que teremos 2 Spocks: o imortal Leonard Nimoy e Zachary Quinto, que farão os papéis em diferentes momentos da vida do personagem.

Agora, mais uma adição ao elenco: Anton Yelchin, 18 anos, ator russo, fará o navegador (russo) Pavel Checov. Até onde sei, não se sabe se o Checov original, Walter Koenig, fará parte do elenco do filme, mas nada até agora parece indicar isso. Pelo menos, como diz meu amigo Murilo, ele não vai ter que forçar o sotaque. Olha ele aí na foto a esquerda (clique para ampliar).

Resta saber quem vai ser canastrão o suficiente o tanto quanto nosso bom e velho Capitão Kirk para interpretá-lo, e se vão chamar o tio Bill Shatner para fazer o Kirk em algum momento da vida. Assim pelo menos ele pára de choramingar (e claro, dizer que não se importa …).

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Finalmente, o HTML evolui!

8 Agosto, 2007

Dica do meu amigo Murilo Silva, como sempre, antenado para as novidades: finalmente o HTML vai evoluir. E não serão poucas as alterações.

Neste link aqui temos a notícia, e neste outro aqui, as alterações em detalhes. Realmente, muito legal de se ver, pois a internet evoluiu muito, e o HTML não, deixando algumas brechas irritantes só contornáveis via scripts.

As alterações se classificam em alguns “tipos” como:

  • Elementos semânticos em blocos (aside, figure, dialog);
  • Elementos semânticos inline (mark, timer, meter, progress);
  • Mídia on-line (video, audio);
  • Interatividade (details, datagrid, menu, command).

Além do mais, você poderá, ao invés de usar divs e mais divs para criar blogs ou estruturas similares, o sentido de seções diferentes poderá ser herdado de nomes padronizados, um grande avanço quando falamos sobre áudio, celulares e browsers que não seguem os padrões (tipo o I.E., que tudo é festa, manja?). Imagine por exemplo, que você poderá criar o blog usando algo tão simples como:

Cool, huh?

Que venha a alteração, e que seja boa dessa vez, porque pelo tempo que demorou, se valer a pena, será bem vinda, hehe. Mas que promete, promete!

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Mais do mesmo: a hipocrisia corre solta

26 Julho, 2007

O de sempre ocorre novamente: não bastasse nossos amigos ufanistas, demagogos e hipócritas que têm rompantes patrióticos exarcebados uma vez a cada 200 anos terem chiado, batido o pézinho e feito “unhé” quando do lançamento do episódio “Blame on Lisa” dos Simpsons, por aqui (por escrachar o Brasil, como fizeram com vários países ao longo da série - embora eu ainda estou procurando o que seja mentira no episódio - ok, ok, dou um desconto pelos macacos), agora os responsáveis pela dublagem estão bancando os “politicamente-corretos” e decidiram que os que só tem acesso ao seriado pela FOX não devem saber o que se fala de errado do Brasil.

Como pode ser ver nesses 2 links, aqui e aqui, o pessoal que comanda a dublagem agora evita dissabores com os chorões do planalto. Vejam a seguir como mudar um episódio (foi o inédito desta semana passada) que contém uma simples piada em um lixo podre, para proteger os imbecis que resolvem atacar de patrióticos ao menor sinal de que a piada foi americana:

Versão original (eles estão vendo um lugar imundo):
Marge: É um chiqueiro.
Lisa: Argh! Esse é o lugar mais nojento em que já estivemos.
Bart: E o Brasil?
Lisa: Depois do Brasil.

Versão dublada:
Marge: Virou um chiqueiro.
Lisa: Argh! Esse é o lugar mais nojento em que já estivemos.
Bart: Sério? Você acha mesmo?
Lisa: Se eu falei é porque eu acho.

Agora, convenhamos: isso é uma piada sobre algo. P-I-A-D-A. Para fazer rir. A qualquer um. Falaram do Brasil, podia ter sido de qualquer lugar. E daí? É só um desenho. Relaxem. E pessoal da dublagem (segundo a notícia, da 20th Century Fox), nós temos o direito de ouvir as piadas no original. Ponto. Larguem a mão de ser babacas!!

Segue o vídeo abaixo:

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Caos aéreo: agora sim … estou em pânico!

26 Julho, 2007

Meu Deus!! Como uma notícia boa pode vir com uma catastrófica atrás?

Notícia boa: Waldir Pires finalmente saiu do coma, ups, quer dizer, saiu do cargo de Ministro da Defesa (algum dia ele esteve lá de verdade?)

Notícia ruim: que a diretoria da ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil) é uma merda, isso todo mundo já sabia, agora o que eu não sabia é que eles estão prá lá de seguros em seus cargos, visto que uma lei lhes confere um mandato no exercício do cargo. Ou seja, o governo tem que reforçar os poderes (além de ressucitar) o CONAC (Conselho Nacional de Aviação Civil), pois a ANAC responde à ele. O que nos leva a …

Notícia pior: Nelson Jobim, o novo Sassá Mutema, vulgo Salvador da Pátria, que chegou prá ficar como Ministro da Defesa, que aliás teve que ser persuadido por amigos para aceitar o cargo. Por que? Porque aqui nesse país esse cargo é uma piada. Em todo país que se preze, esse é um cargo de suma importância, aqui é um empurra-empurra prá ver quem pega o abacaxi. E até o Molusco já tinha prometido pelo jeito até uma Mônica Lewinsky se ele aceitasse, sem sucesso. O pior é que já foi anunciado pelo Lula Molusco em pessoa que o Bob Esponja, ups, Nelson Jobim vai ter os poderes “aumentados” (vulgo carta branca) para resolver aqui e agora a crise área. Ou seja, vai poder bater o pau na mesa e ponto! Vai ver que são reflexos da choradeira do Waldir Pires ao sair, dizendo que ele não tinha poder para fazer nada à respeito da crise. Pobre múmia velha e solitária … mas enfim, depois de tantas idas sem vindas isso nos leva a …

Notícia catastrófica: lembram que eu falei do CONAC ali prá cima? Lembra que eles vão ter também poderes aumentados para resolver tudo? Agora sintam o nível dos “membros” do conselho que terão voz no órgão:

  1. Ministro da Defesa, Nelson Jobim (o que não queria pegar o abacaxi);
  2. Chefe da Casa Civil, Dilma Russef (precisa comentar algo?);
  3. Ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Miguel Jorge (tudo a ver com a crise aérea, não ?);
  4. Ministro da Fazenda, Guido Mantega (de acordo com ele mesmo, “não existe crise aérea, só mais prosperidade! As pessoas viajam mais, por isso que temos atrasos”);
  5. Ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão, Paulo Bernardo (que não dá conta, diga-se de passagem, nem do seu próprio ministério);
  6. Ministra do Turismo, Marta “Relaxa e Goza” Suplicy (nada mais a acrescentar …).

É isso. Não estão se sentindo mais seguros agoras? Eu estou. Muito mais. De agora em diante, avião só quando passar da fronteira desse circo de loucos … só espero que não tenhamos mais vidas sendo ceifadas até que os governantes cansem de brincar com a cara do povo (que ri apalermado) e resolvam fazer algo de verdade …

E durma-se com um barulho desses!

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V for Vendetta

26 Julho, 2007

Estava eu navegando na net por esses dias, quando me deparei com o perfil de um amigo meu no Orkut já de longa data que conheci no J-BBS, Jorge Saldanha, criador da Scoretrack.net, o melhor site que eu já vi sobre trilhas sonoras de filmes e afins. Se não conhece, vá até lá, vale a visita.

Mas voltando ao que interessa, li no perfil dele, algo que eu tinha adorado quando passou, e agora tinha esquecido um pouco, mas que sempre me causa arrepios quando ouço: o discurso introdutório do personagem “V”, interpretado por Hugo Weaving (Agente Smith em Matrix), porque ele demonstra as faces do personagens em palavras: além de ser um discurso interessantíssimo (e se aplicar a diversos governos corruptos de hoje ainda, diga-se de passagem), mostra o dualismo do personagem, que anda entre a vertente da virtude e da loucura para atingir seus objetivos.

Sou fã da HQ e, a despeito do que diga o autor (o respeitadíssimo Alan Moore) quanto à adaptação, sou fã do filme também. Eu tenho e, pessoalmente, quando o assisti via PPV pela SKY, vi 4 vezes seguidas, hehe. Se não viu, veja, vale a pena. Eis, abaixo, o vídeo que eu falei, onde ele introduz seu personagem para aquela que será sua parceira: Evey. Abaixo do vídeo, deixarei o diálogo, em inglês, e a versão em português, para que vocês possam acompanhar:

“Voilà! In view, a humble vaudevillian veteran, cast vicariously as both victim and villain by the vicissitudes of fate. This visage, no mere veneer of vanity, is a vestige of the vox populi, now vacant, vanished; a vital voice once venerated, now vilified. However, this valorous visitation of a bygone vexation now stands vivified, and has vowed to vanquish those venal and virulent vermin vanguarding vice and vouchsafing the violent, vicious, and voracious violation of volition. The only verdict is vengeance. A vendetta, held as votive, not in vain, for the value and veracity of such shall one day vindicate the vigilant and virtuous. Yet verily, this vichyssoise of verbiage veers most verbose, so let me simply add that it is my very great honour to meet you, and you may call me V”

“Voilà! À vista, um humilde veterano vaudevilliano, apresentado vicariamente como ambos vítima e vilão pelas vicissitudes do Destino. Esta visagem, não mero verniz da vaidade, é ela vestígio da vox populi, agora vacante, vanescida, enquanto a voz vital da verossimilhança agora venera aquilo que uma vez vilificaram. Entretanto, esta valorosa visitação de uma antiga vexação, permanece vivificada, e há votado por vaporizar estes venais e virulentos verminados vanguardeiros vícios e favorecer a violentamente viciosa e voraciosa violação da volição. O único veredito é a vingança, uma vendeta, mantida votiva,não em vão, pelo valor e veracidade dos quais um dia deverão vindicar os vigilantes e os virtuosos. Verdadeiramente, esta vichyssoise de verbosidade vira mais verbose vis-a-vis uma introdução, então é minha boa honra conhecê-la e você pode me chamar de V.”

E para finalizar, nada melhor que 2 frases do filme:
* “People should not fear their governments, governments should fear their people” (O povo não deveria temer seus governo, e sim o governo deveria temer o povo).
* “The only thing we have to fear is fear itself” (A única coisa que devemos temer é o próprio medo).

Por tudo que representa, pelas cenas de ação, pelo idealismo como todo (pondo de lado a patética choradeira de “vocês estão incentivando o terrorismo”), é um filme que vale a pena ver, rever, e pensar sobre como ele afeta as nossas convicções. Principalmente sobre como ocorre a “libertação” da personagem Evey (que não existe nas HQ’s), e por mostrar como um governo pode, ao mesmo tempo, dizer estar agindo pelo bem do povo, e por trás acobertando, mentindo, matando, tudo por um suposto ideal, que nada mais é do que a velha e boa balança do poder.

Fica a dica para vocês. Voilà!

Dr.Viper’s Out! Yessssssssssssssss!


Ufa! Tudo categorizado!

25 Julho, 2007

Finalmente!! Depois de muito tempo postergando, como vocês podem ver aí na direita, todos os artigos estão categorizados. Alguns se encaixam em mais de uma categoria e, portanto, estarão inseridos no contexto de uma ou mais (dã!).

É isso. Enjoy the ride!!

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A tragédia de Congonhas: o que mais falar?

24 Julho, 2007

Poderia eu muito dizer, falar a respeito (como no post anterior), mas após topar com esta notícia do Terra e esta carta de uma mãe sofrendo e indignada, me calo. Nada há mais puro do que o amor de uma mãe pelo seu filho. E nada há de mais verdadeiro do que o conteúdo desta carta.

Adi Maria Vasconcellos Soares, mãe de Luís Fernando Soares Zacchini, 41 anos, uma das vítimas do acidente com o avião da TAM, escreveu esta carta aberta ao público, direcionada aos governantes. Seu filho era diretor de planejamento e assessor jurídico do Sindicato dos Técnicos-Científicos do Estado do Rio Grande do Sul (Sintergs). Nascido em Uruguaiana (RS), morava em Canoas (RS) com a mulher e o filho. Parece grande, mas vale a pena. Muito a pena. Não deixe de ler.

“Aos governantes e à família brasileira,

Perdi o meu único filho.

Ninguém, a não ser outra mãe que tenha passado por semelhante tragédia, pode ter experimentado dor maior.

Mesmo sem ter sido dada qualquer publicidade à missa que ontem oferecemos à alma de meu filho, Luís Fernando Soares Zacchini, mais de cem pessoas compareceram. Em todos os olhos havia lágrimas. Lágrimas sinceras de dor, de saudade, de empatia. Meus olhos refletiam todos os prantos derramados por ele, por mim, por seu filhinho, por sua esposa, por todos parentes e amigos. Por todos os sacrificados na catástrofe do Aeroporto de Congonhas.

Há muito eu sabia que desastres aéreos iriam acontecer. Sabia que os vôos neste país não oferecem segurança no céu e na terra. Que no Brasil a voracidade de vender bilhetes aéreos superou o respeito à vida humana. A culpa é lançada sobre um número insuficiente de mal remunerados operadores aéreos ou sobre as condições das turbinas dos aviões. Um Governo alheio a vaias é responsável pelo desmonte de uma das mais respeitáveis e confiáveis empresas aéreas do mundo, a VARIG, em benefício da TAM, desde então, a principal provedora de bilhetes pagos pelo Governo. Que a opinião pública é desviada para supostos erros de bodes expiatórios, permitindo aos ambíguos incompetentes que nos governam continuarem sua ação impune. Que nossos aeroportos não têm condições de atender à crescente demanda de vôos cujo preço é o mais caro do mundo. Quando os usuários aguardam uma explicação, à falta de respeito ao cidadão juntam-se o escárnio e a cruel vulgaridade de uma ministra recomendando aos viajantes prejudicados que relaxem e gozem. Assuntos de alcova não condizentes com a reta postura moral e respeito exigidos no exercício de cargos públicos. Assessores do presidente deste país eximem-se da responsabilidade e do compromisso com a segurança de nosso povo exibindo gestos pornográficos. Gestos mais apropriados a bordéis do que a gabinetes presidenciais. Ao invés de se arrependerem de uma conduta chula, incompatível com a dignidade de um povo doce e amável como o brasileiro, ainda alardeiam indignação, único sentimento ao alcance dos indignos. Aqueles que deveriam comandar a responsabilidade pelo tráfego aéreo no Brasil nada fazem exceto conchavos. Aceitam as vantagens de um cargo sem sequer diferenciarem caixa preta de sucata. Tanto que oneraram e humilharam o país ao levar o material errado para ser examinado em Washington. Essas são as mesmas autoridades agraciadas com louvor e condecorações do Governo em nome do povo brasileiro, enquanto toda a nação, no auge de sofrimento, chorava a perda de seus filhos.

Tudo isto eu sabia. A mim, bastava-me minha dor, bastava meu pranto, bastava o sofrimento dos que me amam, dos que amaram meu filho. Nenhum choro ou lamento iria aumentar ou minorar tanta tristeza. Dores iguais ou maiores que a minha, de outras mães, dos pais, filhos e amigos dos mortos necessitam de consolo. A solidariedade e amor ao próximo obrigam-nos a esquecer a própria dor.

Não pensei, contudo, que teria de passar por mais um insulto: ouvir a falsidade de um presidente, sob a forma de ensaiadas e demagógicas palavras de conforto. Um texto certamente encomendado a um hábil redator, dirigido mais à opinião pública do que a nossos corações, ao nosso luto, às nossas vítimas. Palavras que soaram tão falsas quanto a forçada e patética tentativa que demonstrou ao simular uma lágrima. Não, francamente eu não merecia ter de me submeter a mais essa provação nem necessitava presenciar a estúpida cena: ver o chefe da nação sofismar um sofrimento que não compartilhava conosco.

Senhores governantes: há dias vejo o mundo através de lágrimas amargas mas verdadeiras. Confundem-se com as lágrimas sinceras e puras de todos os corações amigos. Há dias, da forma mais dolorosa possível, aprendi o que é o verdadeiro amor. O amor humano, o Amor Divino. O amor é inefável, o amor é um sentimento despojado de interesse, não recorre a histriônicas atitudes políticas.

Não jorra das bocas, flui do coração!

E que Deus nos abençoe!

Adi Maria Vasconcellos Soares

Porto Alegre, 21 de julho de 2007.”

Que este grito ajude a não silenciar o que a sociedade costuma por si só fazê-lo. Que isso possa ser algo que nos ajude a pensar, e quem sabe, mudar (já não sem tempo) esse (des)governo que aí está. E não só isso. Repensar muita coisa sobre nosso querido país e seu “querido jeitinho”.

Dr.Viper’s Out! Yessssssssssssssss!